17 de julho de 2011

Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face de maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
 E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia  de quem vive
Quem sabe a solidão, a fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que nada seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
                  
 
                                     (Vinicius de Moraes)

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